Você sabia que o intestino e o cérebro se comunicam constantemente? Essa conexão é chamada de eixo intestino-cérebro, um sistema complexo de interação entre o sistema nervoso central e o sistema digestivo, mediado por hormônios, neurotransmissores e, principalmente, pela microbiota intestinal.
Cada vez mais pesquisas demonstram que o equilíbrio das bactérias intestinais pode influenciar diretamente a saúde mental, afetando o humor, a cognição e até quadros de ansiedade e depressão. Neste artigo, você vai entender como funciona essa comunicação e como cuidar da saúde intestinal pode ser um caminho poderoso para promover o bem-estar emocional.

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Sobre o autor:
Tiago Rocha – Biólogo, naturoterapeuta e cientista reconhecido mundialmente.
Com vídeos que ultrapassaram 100 milhões de visualizações e presença nas maiores emissoras brasileiras (Record, RedeTV, SBT, TV Gazeta), Tiago dedica seu trabalho à cura e prevenção de doenças através da alimentação.
O que é o eixo intestino-cérebro:
O eixo intestino-cérebro é uma via bidirecional de comunicação entre o sistema nervoso central (SNC) e o trato gastrointestinal. Essa interação é realizada por meio de:
- Nervos (principalmente o nervo vago);
- Mensageiros químicos (neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA);
- Hormônios e citocinas inflamatórias;
- Metabólitos produzidos pelas bactérias intestinais.
Esse eixo é responsável por regular diversas funções fisiológicas, como digestão, saciedade, comportamento emocional, resposta ao estresse e regulação do sistema imune.
O papel da microbiota intestinal na saúde mental:
A microbiota intestinal é composta por trilhões de micro-organismos — incluindo bactérias, vírus e fungos — que vivem no trato gastrointestinal. Quando essa comunidade está equilibrada (estado chamado de eubiose), ela atua de forma protetora. Mas quando há um desequilíbrio (disbiose), o risco de distúrbios mentais aumenta significativamente.
As bactérias benéficas produzem substâncias que modulam o humor e o funcionamento cerebral, como:
- Serotonina: cerca de 90% da serotonina do corpo é produzida no intestino;
- GABA: neurotransmissor inibitório com efeito calmante;
- Ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs): como o butirato, que possuem efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores;
- Triptófano: aminoácido essencial para a síntese de serotonina e melatonina.
Como a disbiose pode afetar o cérebro:
A disbiose intestinal — desequilíbrio entre bactérias benéficas e patogênicas — pode causar inflamações de baixo grau, alteração na barreira intestinal (“intestino permeável”) e na barreira hematoencefálica. Isso permite a entrada de toxinas e citocinas inflamatórias no sistema nervoso central, o que contribui para:
- Ansiedade e irritabilidade;
- Depressão leve a moderada;
- Fadiga mental e falta de foco;
- Alterações no apetite e no sono;
- Agravamento de doenças neurológicas como Alzheimer e Parkinson.
Evidências científicas sobre o eixo intestino-cérebro:
Pesquisas recentes mostram que a modulação da microbiota intestinal pode melhorar sintomas relacionados à saúde mental. Algumas conclusões importantes incluem:
- O uso de probióticos específicos (chamados psicobióticos) tem mostrado melhora significativa em quadros de ansiedade e depressão leve;
- A alimentação rica em fibras e prebióticos aumenta a produção de SCFAs, reduzindo inflamações cerebrais;
- Crianças com distúrbios do neurodesenvolvimento, como autismo, muitas vezes apresentam disbiose intestinal associada.
Alimentos que favorecem a saúde do eixo intestino-cérebro:
Fibras prebióticas:
- O intestino deixou de ser visto apenas como um órgão digestivo. Hoje, ele é reconhecido como um centro de comunicação bioquímica e neurológica, capaz de influenciar diretamente o humor, o comportamento, a memória e até o risco de transtornos emocionais.
Essa conexão é chamada de eixo intestino-cérebro e depende fortemente da qualidade da microbiota intestinal. Entre os principais fatores nutricionais que sustentam esse eixo, destacam-se as fibras prebióticas.
O que é o eixo intestino-cérebro?
O eixo intestino-cérebro é uma via de comunicação bidirecional que envolve:
Sistema nervoso (principalmente o nervo vago)
Sistema imunológico
Hormônios intestinais
Microbiota intestinal
Quando o intestino está inflamado ou em disbiose, o cérebro recebe sinais de estresse. Quando o intestino está equilibrado, o cérebro tende a operar em um estado de maior estabilidade emocional e cognitiva.
O que são fibras prebióticas?
As fibras prebióticas são carboidratos não digeríveis pelo organismo humano, mas fermentáveis pelas bactérias benéficas do intestino.
Elas funcionam como alimento seletivo da microbiota saudável, estimulando o crescimento de microrganismos como Bifidobacterium e Lactobacillus.
Principais efeitos das fibras prebióticas:
Aumento da diversidade da microbiota
Fortalecimento da barreira intestinal
Redução da inflamação sistêmica
Produção de metabólitos neuroativos
SCFAs: o elo bioquímico entre intestino e cérebro
Durante a fermentação das fibras prebióticas, as bactérias produzem os chamados SCFAs (ácidos graxos de cadeia curta), considerados mensageiros centrais do eixo intestino-cérebro.
Principais SCFAs e suas funções
SCFA
Função intestinal
Impacto no cérebro
Butirato
Nutre células intestinais e protege a mucosa
Neuroprotetor, melhora cognição e reduz neuroinflamação
Propionato
Regula metabolismo e glicemia
Modula resposta ao estresse
Acetato
Fonte energética sistêmica
Influencia saciedade e sinalização cerebral
O butirato é o SCFA mais estudado na relação com saúde mental e integridade da barreira intestinal.
Alimentos ricos em fibras prebióticas e seus efeitos
Alho e cebola
Fibras predominantes: inulina e frutooligossacarídeos (FOS)
Principais benefícios:
Estimulam bactérias benéficas
Reduzem inflamação intestinal
Auxiliam no equilíbrio do cortisol
Relação com o cérebro:
Menor inflamação intestinal reduz a liberação de citocinas inflamatórias que afetam negativamente o humor e a clareza mental.
Banana verde
Fibra predominante: amido resistente tipo 2
Principais benefícios:
Estimula fortemente a produção de butirato
Melhora sensibilidade à insulina
Regula o trânsito intestinal
Relação com o cérebro:
Maior produção de butirato favorece a integridade da barreira intestinal, reduzindo a passagem de toxinas inflamatórias para o sistema nervoso.
Aveia
Fibra predominante: betaglucanas
Principais benefícios:
Fermentação lenta e constante
Estabiliza a glicemia
Reduz inflamação pós-prandial
Relação com o cérebro:
Glicemia estável reduz picos de estresse fisiológico, favorecendo equilíbrio emocional e foco mental.
Aspargos
Fibra predominante: inulina
Principais benefícios:
Aumenta diversidade da microbiota
Fortalece a barreira intestinal
Atua como anti-inflamatório natural
Relação com o cérebro:
Maior diversidade bacteriana está associada a menor risco de ansiedade e depressão.
Atenção à adaptação intestinal:
A introdução de fibras prebióticas deve ser gradual, especialmente em pessoas com:
Disbiose intestinal
Síndrome do intestino irritável
Histórico de gases ou distensão abdominal
Estratégia recomendada:
Introduzir um alimento por vez
Aumentar quantidades progressivamente
Manter boa hidratação
Mastigar adequadamente
Alimentos fermentados:
- Os alimentos fermentados acompanham a humanidade há milhares de anos. Muito antes da existência de suplementos, cápsulas e fórmulas industriais, o equilíbrio intestinal era sustentado por processos naturais de fermentação, capazes de transformar alimentos simples em verdadeiros moduladores da saúde.
Hoje, a ciência confirma aquilo que a tradição já intuía: alimentos fermentados influenciam diretamente o eixo intestino-cérebro, por meio da oferta de probióticos vivos, compostos bioativos e metabólitos que regulam inflamação, imunidade e neurotransmissores.
O que são alimentos fermentados?
Alimentos fermentados são aqueles que passam por um processo natural em que bactérias e leveduras benéficas transformam carboidratos e outros compostos em:
Ácidos orgânicos
Enzimas digestivas
Vitaminas
Probióticos vivos
Esse processo não apenas preserva o alimento, mas aumenta seu valor biológico.
Probióticos: peças-chave do eixo intestino-cérebro
Os probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, promovem benefícios à saúde do hospedeiro.
No contexto do eixo intestino-cérebro, eles atuam em três frentes principais:
Modulação da inflamação intestinal e sistêmica
Produção indireta de neurotransmissores
Fortalecimento da barreira intestinal
Um intestino equilibrado envia sinais de segurança ao cérebro. Um intestino inflamado envia sinais de alerta.
Como os alimentos fermentados influenciam o cérebro?
A ação dos alimentos fermentados não se limita ao intestino. Eles:
Reduzem citocinas inflamatórias que afetam o cérebro
Estimulam a produção de serotonina intestinal (mais de 90% é produzida ali)
Influenciam GABA, dopamina e acetilcolina
Regulam o eixo do estresse (HPA – hipotálamo-hipófise-adrenal)
👉 Em termos simples: menos inflamação intestinal = menos ruído inflamatório no cérebro.
Principais alimentos fermentados e seus benefícios:
Kefir
Fermentado a partir do leite ou da água, o kefir contém uma diversidade excepcional de bactérias e leveduras benéficas.
Principais benefícios:
Alta densidade probiótica
Melhora da digestão da lactose
Fortalecimento da imunidade intestinal
Impacto no eixo intestino-cérebro:
A diversidade microbiana do kefir está associada a maior estabilidade emocional e melhor resposta ao estresse.
Kombuchá
Bebida fermentada à base de chá, rica em ácidos orgânicos e compostos antioxidantes.
Principais benefícios:
Estimula bactérias benéficas
Auxilia na detoxificação hepática
Contribui para equilíbrio do pH intestinal
Impacto no eixo intestino-cérebro:
Redução da carga inflamatória sistêmica, favorecendo clareza mental e disposição.
Chucrute
Repolho fermentado naturalmente, fonte de bactérias lácticas e compostos anti-inflamatórios.
Principais benefícios:
Melhora a digestibilidade dos vegetais
Fortalece a mucosa intestinal
Rico em vitamina C e compostos bioativos
Impacto no eixo intestino-cérebro:
Intestino mais íntegro significa menor passagem de endotoxinas inflamatórias que afetam o cérebro.
Iogurte natural
Fermentado lácteo simples, desde que sem açúcar, corantes ou aditivos.
Principais benefícios:
Fonte acessível de probióticos
Auxilia no equilíbrio da microbiota
Contribui para saúde digestiva diária
Impacto no eixo intestino-cérebro:
Consumo regular está associado a melhora do humor e redução de sintomas ansiosos leves.
Missô
Pasta fermentada de soja, tradicional da culinária oriental.
Principais benefícios:
Rico em enzimas digestivas
Fonte de probióticos e aminoácidos
Auxilia no metabolismo intestinal
Impacto no eixo intestino-cérebro:
A fermentação prolongada do missô favorece compostos que atuam na modulação inflamatória e na comunicação intestino-cérebro.
Atenção a um ponto essencial
Alimentos fermentados não devem ser introduzidos de forma agressiva, especialmente em pessoas com:
Disbiose avançada
Intestino sensível
Histórico de gases intensos
Estratégia segura:
Começar com pequenas porções
Observar a resposta intestinal
Variar os tipos de fermentados
Associar com fibras prebióticas
Polifenóis:
- Durante muito tempo, os polifenóis foram associados apenas à ação antioxidante. Hoje, a ciência avançou e mostrou que esses compostos vão muito além do combate aos radicais livres.
Os polifenóis atuam como moduladores da microbiota intestinal, influenciam a inflamação sistêmica e exercem papel direto na comunicação entre intestino e cérebro. Em outras palavras, eles ajudam o intestino a “conversar melhor” com o cérebro.
O que são polifenóis?
Os polifenóis são compostos bioativos de origem vegetal, responsáveis por cor, aroma e proteção das plantas. No organismo humano, eles exercem funções reguladoras importantes.
Uma característica essencial dos polifenóis é que não são totalmente absorvidos no intestino delgado. Grande parte chega intacta ao cólon, onde interage diretamente com a microbiota.
👉 Isso transforma os polifenóis em nutrientes estratégicos para o eixo intestino-cérebro.
Como os polifenóis atuam no eixo intestino-cérebro?
Os polifenóis influenciam esse eixo por múltiplos mecanismos:
Modulando a composição da microbiota
Estimulando o crescimento de bactérias benéficas
Reduzindo bactérias pró-inflamatórias
Diminuindo a inflamação intestinal e sistêmica
Protegendo neurônios contra estresse oxidativo
O resultado é um ambiente intestinal mais equilibrado e um cérebro menos exposto a sinais inflamatórios crônicos.
Polifenóis e inflamação: uma relação direta
A inflamação de baixo grau é um dos principais fatores envolvidos em:
Ansiedade
Depressão
Fadiga mental
Declínio cognitivo precoce
Os polifenóis ajudam a frear esse processo inflamatório, reduzindo citocinas inflamatórias que atravessam a barreira intestinal e alcançam o sistema nervoso central.
Principais alimentos ricos em polifenóis e seus efeitos
Cacau puro:
Principais polifenóis: flavonoides (epicatequina e catequina)
Principais benefícios:
Estimula bactérias benéficas do intestino
Reduz inflamação sistêmica
Melhora a função endotelial
Relação com o eixo intestino-cérebro:
O cacau favorece a produção de metabólitos anti-inflamatórios que protegem o cérebro e estão associados à melhora do humor e da cognição.
📌 Importante: quanto mais puro o cacau, maior o teor de polifenóis (evitar versões ricas em açúcar).
Frutas vermelhas:
Principais polifenóis: antocianinas e flavonóis
Principais benefícios:
Alta capacidade antioxidante
Estimulam diversidade da microbiota
Protegem a mucosa intestinal
Relação com o eixo intestino-cérebro:
As antocianinas ajudam a reduzir neuroinflamação e estão associadas a melhor memória e desempenho cognitivo.
Chá verde:
Principais polifenóis: catequinas (especialmente EGCG)
Principais benefícios:
Reduz inflamação intestinal
Estimula bactérias benéficas
Atua no metabolismo energético
Relação com o eixo intestino-cérebro:
O chá verde contribui para maior clareza mental, foco e redução do estresse oxidativo cerebral.
Azeite de oliva extra virgem:
Principais polifenóis: oleuropeína, hidroxitirosol
Principais benefícios:
Potente ação anti-inflamatória
Proteção da barreira intestinal
Modulação positiva da microbiota
Relação com o eixo intestino-cérebro:
Os polifenóis do azeite ajudam a reduzir inflamação crônica, fator diretamente ligado a transtornos neurodegenerativos e alterações de humor.
📌 Dica prática: o azeite deve ser extra virgem, prensado a frio e consumido preferencialmente cru.
Estratégia prática de consumo:
Para aproveitar melhor os polifenóis:
Priorizar alimentos in natura
Variar as fontes diariamente
Associar com fibras prebióticas
Evitar excesso de açúcar e ultraprocessados
Fontes de triptofano:
- O bem-estar emocional não depende apenas de pensamentos positivos ou força de vontade. Ele começa, muitas vezes, no prato — mais especificamente na oferta adequada de nutrientes capazes de sustentar a produção de neurotransmissores.
Entre eles, o triptofano ocupa um lugar central. Esse aminoácido essencial é o principal precursor da serotonina, neurotransmissor diretamente ligado ao humor, ao sono, ao apetite e à sensação de bem-estar.
O que é o triptofano?
O triptofano é um aminoácido essencial, ou seja, o organismo não consegue produzi-lo e depende exclusivamente da alimentação para obtê-lo.
Ele atua como matéria-prima para a produção de:
Serotonina
Melatonina
Niacina (vitamina B3)
No contexto do eixo intestino-cérebro, o triptofano é um elo bioquímico fundamental entre nutrição, microbiota intestinal e saúde mental.
Triptofano e serotonina: qual é a relação?
Cerca de 90% da serotonina do corpo é produzida no intestino, não no cérebro.
Para que isso aconteça de forma eficiente, três fatores precisam estar alinhados:
Oferta adequada de triptofano
Microbiota intestinal equilibrada
Baixo grau de inflamação intestinal
Quando o intestino está inflamado, o triptofano tende a ser desviado para vias metabólicas inflamatórias, reduzindo sua conversão em serotonina.
👉 Ou seja: não basta consumir triptofano, é preciso que o intestino esteja saudável.
Como o triptofano atua no eixo intestino-cérebro?
O triptofano influencia esse eixo por diferentes mecanismos:
Serve de substrato para a produção de serotonina intestinal
Modula o eixo do estresse (HPA)
Influencia a comunicação via nervo vago
Atua indiretamente na qualidade do sono
Impacta comportamento alimentar e saciedade
Um aporte adequado de triptofano favorece estabilidade emocional e melhor adaptação ao estresse.
Principais fontes alimentares de triptofano
Ovos:
Destaque nutricional: proteína de alto valor biológico + triptofano + vitaminas do complexo B
Principais benefícios:
Excelente biodisponibilidade de triptofano
Auxilia na síntese de neurotransmissores
Contribui para saciedade e estabilidade glicêmica
Relação com o eixo intestino-cérebro:
Os ovos fornecem triptofano em um contexto nutricional completo, facilitando sua utilização pelo organismo.
Sementes de abóbora:
Destaque nutricional: triptofano + magnésio + zinco
Principais benefícios:
Apoiam a produção de serotonina
Contribuem para relaxamento neuromuscular
Auxiliam na modulação do estresse
Relação com o eixo intestino-cérebro:
A combinação de triptofano com minerais cofatores favorece a conversão eficiente em serotonina.
Leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico):
Destaque nutricional: triptofano + fibras + polifenóis
Principais benefícios:
Suporte à microbiota intestinal
Liberação gradual de energia
Redução da inflamação intestinal
Relação com o eixo intestino-cérebro:
As fibras das leguminosas criam um ambiente intestinal favorável para que o triptofano seja melhor aproveitado.
Peixes:
Destaque nutricional: triptofano + ômega-3
Principais benefícios:
Redução da inflamação sistêmica
Suporte à saúde cerebral
Melhora da fluidez das membranas neuronais
Relação com o eixo intestino-cérebro:
O ômega-3 reduz inflamação, favorecendo o direcionamento do triptofano para a produção de serotonina.
Estratégias práticas para melhorar a conversão do triptofano:
Para otimizar o uso do triptofano pelo organismo:
Associar com carboidratos complexos
Evitar inflamação intestinal crônica
Manter microbiota equilibrada
Garantir ingestão adequada de vitaminas do complexo B
Evitar dietas excessivamente restritivas
Suplementos que podem auxiliar na modulação do eixo intestino-cérebro:
Probióticos, glutamina e ômega-3 no eixo intestino-cérebro
A saúde mental não começa apenas no cérebro. Cada vez mais estudos mostram que o equilíbrio emocional está profundamente ligado à integridade do intestino. Inflamação intestinal, disbiose e aumento da permeabilidade intestinal são fatores diretamente associados a ansiedade, alterações de humor e fadiga mental.
Dentro desse contexto, três elementos se destacam como ferramentas nutricionais e funcionais do eixo intestino-cérebro:
probióticos específicos, glutamina e ômega-3.
Eles não atuam de forma isolada. Juntos, formam uma base sólida para restaurar a mucosa intestinal, modular a microbiota e reduzir inflamação sistêmica e cerebral.
Probióticos e saúde emocional
Os probióticos são microrganismos vivos que exercem efeitos benéficos quando consumidos em quantidades adequadas. Algumas cepas específicas vêm sendo chamadas, inclusive, de psicobióticos, por sua atuação direta sobre o humor e a ansiedade.
Como os probióticos atuam no eixo intestino-cérebro?
Eles influenciam esse eixo por meio de vários mecanismos:
- Redução da inflamação intestinal
- Modulação do sistema imunológico
- Produção e regulação de neurotransmissores
- Comunicação com o cérebro via nervo vago
- Fortalecimento da barreira intestinal
Quando a microbiota está equilibrada, o cérebro recebe sinais de segurança metabólica. Quando está alterada, recebe sinais de estresse.
Cepas com evidência científica para humor e ansiedade
Lactobacillus rhamnosus
- Modula receptores de GABA (neurotransmissor inibitório)
- Reduz resposta ao estresse
- Associado à diminuição de sintomas ansiosos
👉 Atua principalmente na regulação do sistema nervoso.
Bifidobacterium longum
- Reduz inflamação intestinal
- Melhora sintomas de ansiedade leve
- Favorece estabilidade emocional
👉 Atua na redução do ruído inflamatório entre intestino e cérebro.
Lactobacillus helveticus
- Auxilia no controle do cortisol
- Contribui para sensação de bem-estar
- Apoia o equilíbrio do eixo HPA (estresse)
👉 Atua na modulação hormonal do estresse.
Resumo funcional das cepas probióticas
| Cepa probiótica | Principal ação | Benefício emocional |
|---|---|---|
| L. rhamnosus | Regulação de GABA | Redução da ansiedade |
| B. longum | Ação anti-inflamatória | Estabilidade do humor |
| L. helveticus | Modulação do cortisol | Redução do estresse |
Glutamina e a integridade da mucosa intestinal
A glutamina é um aminoácido considerado essencial em situações de estresse metabólico. Ela é a principal fonte de energia das células intestinais (enterócitos).
Por que a glutamina é tão importante para o intestino?
- Promove reparação da mucosa intestinal
- Fortalece as junções celulares (tight junctions)
- Reduz a permeabilidade intestinal
- Auxilia na recuperação após inflamação ou infecções
Em quadros de intestino permeável, a glutamina atua como um verdadeiro combustível de regeneração intestinal.
Glutamina e o eixo intestino-cérebro
Quando a barreira intestinal está comprometida, toxinas e fragmentos bacterianos entram na circulação, ativando inflamação sistêmica que afeta o cérebro.
👉 Ao restaurar a mucosa intestinal, a glutamina reduz esse gatilho inflamatório, favorecendo melhora do humor, da clareza mental e da disposição.
Ômega-3: anti-inflamatório do intestino ao cérebro
Os ácidos graxos ômega-3 (principalmente EPA e DHA) são conhecidos por sua ação anti-inflamatória, mas seu impacto no eixo intestino-cérebro vai além disso.
Principais ações do ômega-3:
- Redução da inflamação intestinal
- Modulação da microbiota
- Proteção das membranas neuronais
- Redução de citocinas inflamatórias
- Suporte à função cognitiva
O ômega-3 cria um ambiente metabólico favorável para que outros nutrientes, como o triptofano, sejam melhor aproveitados.
Ômega-3 e saúde emocional
Estudos associam níveis adequados de ômega-3 a:
- Menor risco de depressão
- Redução de sintomas ansiosos
- Melhor resposta ao estresse
- Proteção contra neuroinflamação
👉 Ele atua como um amortecedor inflamatório entre intestino e cérebro.
Comparativo funcional: probióticos, glutamina e ômega-3
| Nutriente | Principal função intestinal | Impacto no cérebro |
|---|---|---|
| Probióticos | Equilíbrio da microbiota | Modulação do humor e ansiedade |
| Glutamina | Reparação da mucosa | Redução de inflamação cerebral indireta |
| Ômega-3 | Ação anti-inflamatória | Neuroproteção e estabilidade emocional |
Estratégia prática e integrada
Esses três elementos funcionam melhor quando usados em conjunto:
- Probióticos equilibram a microbiota
- Glutamina repara a barreira intestinal
- Ômega-3 reduz inflamação sistêmica
👉 Essa tríade cria um ambiente intestinal seguro, permitindo uma comunicação mais saudável com o cérebro.
Estratégias complementares para fortalecer essa conexão:
- Gestão do estresse: técnicas como meditação, ioga e respiração consciente ajudam a reduzir a hiperativação do eixo HPA (eixo hipotálamo-hipófise-adrenal).
- Sono de qualidade: sono restaurador favorece a produção de neurotransmissores e a renovação da microbiota.
- Atividade física regular: exercícios moderados estimulam a diversidade bacteriana e a liberação de endorfinas.
Finalizando:
O eixo intestino-cérebro é uma via poderosa e fundamental para a manutenção da saúde integral. Cuidar da microbiota intestinal vai muito além da digestão: é também uma forma eficaz de apoiar o equilíbrio emocional, a clareza mental e a prevenção de distúrbios psiquiátricos e neurológicos.
A nutrição funcional, associada à modulação intestinal e ao estilo de vida saudável, se mostra como um dos caminhos mais promissores na abordagem integrativa da saúde mental.
Fontes:
- Dinan, T. G., & Cryan, J. F. (2017). The Microbiome-Gut-Brain Axis in Health and Disease. Gastroenterology.
- Foster, J. A., Rinaman, L., & Cryan, J. F. (2017). Stress & the gut-brain axis: Regulation by the microbiome. Neurobiology of Stress.
- Carabotti, M. et al. (2015). The gut–brain axis: interactions between enteric microbiota, central and enteric nervous systems. Annals of Gastroenterology.
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