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Intestino-cérebro: O eixo, como bactérias intestinais afetam a saúde mental.

Você sabia que o intestino e o cérebro se comunicam constantemente? Essa conexão é chamada de eixo intestino-cérebro, um sistema complexo de interação entre o sistema nervoso central e o sistema digestivo, mediado por hormônios, neurotransmissores e, principalmente, pela microbiota intestinal.

Cada vez mais pesquisas demonstram que o equilíbrio das bactérias intestinais pode influenciar diretamente a saúde mental, afetando o humor, a cognição e até quadros de ansiedade e depressão. Neste artigo, você vai entender como funciona essa comunicação e como cuidar da saúde intestinal pode ser um caminho poderoso para promover o bem-estar emocional.

intestino

>>Mais sobre o intestino e cerébro
>>Mais sobre saúde do intestino


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Sobre o autor:
Tiago Rocha – Biólogo, naturoterapeuta e cientista reconhecido mundialmente.
Com vídeos que ultrapassaram 100 milhões de visualizações e presença nas maiores emissoras brasileiras (Record, RedeTV, SBT, TV Gazeta), Tiago dedica seu trabalho à cura e prevenção de doenças através da alimentação.


O que é o eixo intestino-cérebro:

O eixo intestino-cérebro é uma via bidirecional de comunicação entre o sistema nervoso central (SNC) e o trato gastrointestinal. Essa interação é realizada por meio de:

  • Nervos (principalmente o nervo vago);
  • Mensageiros químicos (neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA);
  • Hormônios e citocinas inflamatórias;
  • Metabólitos produzidos pelas bactérias intestinais.

Esse eixo é responsável por regular diversas funções fisiológicas, como digestão, saciedade, comportamento emocional, resposta ao estresse e regulação do sistema imune.


O papel da microbiota intestinal na saúde mental:

A microbiota intestinal é composta por trilhões de micro-organismos — incluindo bactérias, vírus e fungos — que vivem no trato gastrointestinal. Quando essa comunidade está equilibrada (estado chamado de eubiose), ela atua de forma protetora. Mas quando há um desequilíbrio (disbiose), o risco de distúrbios mentais aumenta significativamente.

As bactérias benéficas produzem substâncias que modulam o humor e o funcionamento cerebral, como:

  • Serotonina: cerca de 90% da serotonina do corpo é produzida no intestino;
  • GABA: neurotransmissor inibitório com efeito calmante;
  • Ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs): como o butirato, que possuem efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores;
  • Triptófano: aminoácido essencial para a síntese de serotonina e melatonina.

Como a disbiose pode afetar o cérebro:

A disbiose intestinal — desequilíbrio entre bactérias benéficas e patogênicas — pode causar inflamações de baixo grau, alteração na barreira intestinal (“intestino permeável”) e na barreira hematoencefálica. Isso permite a entrada de toxinas e citocinas inflamatórias no sistema nervoso central, o que contribui para:

  • Ansiedade e irritabilidade;
  • Depressão leve a moderada;
  • Fadiga mental e falta de foco;
  • Alterações no apetite e no sono;
  • Agravamento de doenças neurológicas como Alzheimer e Parkinson.

Evidências científicas sobre o eixo intestino-cérebro:

Pesquisas recentes mostram que a modulação da microbiota intestinal pode melhorar sintomas relacionados à saúde mental. Algumas conclusões importantes incluem:

  • O uso de probióticos específicos (chamados psicobióticos) tem mostrado melhora significativa em quadros de ansiedade e depressão leve;
  • A alimentação rica em fibras e prebióticos aumenta a produção de SCFAs, reduzindo inflamações cerebrais;
  • Crianças com distúrbios do neurodesenvolvimento, como autismo, muitas vezes apresentam disbiose intestinal associada.

Alimentos que favorecem a saúde do eixo intestino-cérebro:

Fibras prebióticas:

  • O intestino deixou de ser visto apenas como um órgão digestivo. Hoje, ele é reconhecido como um centro de comunicação bioquímica e neurológica, capaz de influenciar diretamente o humor, o comportamento, a memória e até o risco de transtornos emocionais.
    Essa conexão é chamada de eixo intestino-cérebro e depende fortemente da qualidade da microbiota intestinal. Entre os principais fatores nutricionais que sustentam esse eixo, destacam-se as fibras prebióticas.

    O que é o eixo intestino-cérebro?
    O eixo intestino-cérebro é uma via de comunicação bidirecional que envolve:
    Sistema nervoso (principalmente o nervo vago)
    Sistema imunológico
    Hormônios intestinais
    Microbiota intestinal
    Quando o intestino está inflamado ou em disbiose, o cérebro recebe sinais de estresse. Quando o intestino está equilibrado, o cérebro tende a operar em um estado de maior estabilidade emocional e cognitiva.

    O que são fibras prebióticas?
    As fibras prebióticas são carboidratos não digeríveis pelo organismo humano, mas fermentáveis pelas bactérias benéficas do intestino.
    Elas funcionam como alimento seletivo da microbiota saudável, estimulando o crescimento de microrganismos como Bifidobacterium e Lactobacillus.
    Principais efeitos das fibras prebióticas:
    Aumento da diversidade da microbiota
    Fortalecimento da barreira intestinal
    Redução da inflamação sistêmica
    Produção de metabólitos neuroativos

    SCFAs: o elo bioquímico entre intestino e cérebro
    Durante a fermentação das fibras prebióticas, as bactérias produzem os chamados SCFAs (ácidos graxos de cadeia curta), considerados mensageiros centrais do eixo intestino-cérebro.
    Principais SCFAs e suas funções

    SCFA
    Função intestinal
    Impacto no cérebro
    Butirato
    Nutre células intestinais e protege a mucosa
    Neuroprotetor, melhora cognição e reduz neuroinflamação
    Propionato
    Regula metabolismo e glicemia
    Modula resposta ao estresse
    Acetato
    Fonte energética sistêmica
    Influencia saciedade e sinalização cerebral
    O butirato é o SCFA mais estudado na relação com saúde mental e integridade da barreira intestinal.

    Alimentos ricos em fibras prebióticas e seus efeitos

    Alho e cebola
    Fibras predominantes: inulina e frutooligossacarídeos (FOS)
    Principais benefícios:
    Estimulam bactérias benéficas
    Reduzem inflamação intestinal
    Auxiliam no equilíbrio do cortisol
    Relação com o cérebro:
    Menor inflamação intestinal reduz a liberação de citocinas inflamatórias que afetam negativamente o humor e a clareza mental.

    Banana verde
    Fibra predominante: amido resistente tipo 2
    Principais benefícios:
    Estimula fortemente a produção de butirato
    Melhora sensibilidade à insulina
    Regula o trânsito intestinal
    Relação com o cérebro:
    Maior produção de butirato favorece a integridade da barreira intestinal, reduzindo a passagem de toxinas inflamatórias para o sistema nervoso.

    Aveia
    Fibra predominante: betaglucanas
    Principais benefícios:
    Fermentação lenta e constante
    Estabiliza a glicemia
    Reduz inflamação pós-prandial
    Relação com o cérebro:
    Glicemia estável reduz picos de estresse fisiológico, favorecendo equilíbrio emocional e foco mental.

    Aspargos
    Fibra predominante: inulina
    Principais benefícios:
    Aumenta diversidade da microbiota
    Fortalece a barreira intestinal
    Atua como anti-inflamatório natural
    Relação com o cérebro:
    Maior diversidade bacteriana está associada a menor risco de ansiedade e depressão.

    Atenção à adaptação intestinal:
    A introdução de fibras prebióticas deve ser gradual, especialmente em pessoas com:
    Disbiose intestinal
    Síndrome do intestino irritável
    Histórico de gases ou distensão abdominal
    Estratégia recomendada:
    Introduzir um alimento por vez
    Aumentar quantidades progressivamente
    Manter boa hidratação
    Mastigar adequadamente

Alimentos fermentados:

  • Os alimentos fermentados acompanham a humanidade há milhares de anos. Muito antes da existência de suplementos, cápsulas e fórmulas industriais, o equilíbrio intestinal era sustentado por processos naturais de fermentação, capazes de transformar alimentos simples em verdadeiros moduladores da saúde.
    Hoje, a ciência confirma aquilo que a tradição já intuía: alimentos fermentados influenciam diretamente o eixo intestino-cérebro, por meio da oferta de probióticos vivos, compostos bioativos e metabólitos que regulam inflamação, imunidade e neurotransmissores.

    O que são alimentos fermentados?
    Alimentos fermentados são aqueles que passam por um processo natural em que bactérias e leveduras benéficas transformam carboidratos e outros compostos em:
    Ácidos orgânicos
    Enzimas digestivas
    Vitaminas
    Probióticos vivos
    Esse processo não apenas preserva o alimento, mas aumenta seu valor biológico.

    Probióticos: peças-chave do eixo intestino-cérebro
    Os probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, promovem benefícios à saúde do hospedeiro.
    No contexto do eixo intestino-cérebro, eles atuam em três frentes principais:
    Modulação da inflamação intestinal e sistêmica
    Produção indireta de neurotransmissores
    Fortalecimento da barreira intestinal
    Um intestino equilibrado envia sinais de segurança ao cérebro. Um intestino inflamado envia sinais de alerta.

    Como os alimentos fermentados influenciam o cérebro?
    A ação dos alimentos fermentados não se limita ao intestino. Eles:
    Reduzem citocinas inflamatórias que afetam o cérebro
    Estimulam a produção de serotonina intestinal (mais de 90% é produzida ali)
    Influenciam GABA, dopamina e acetilcolina
    Regulam o eixo do estresse (HPA – hipotálamo-hipófise-adrenal)
    👉 Em termos simples: menos inflamação intestinal = menos ruído inflamatório no cérebro.

    Principais alimentos fermentados e seus benefícios:

    Kefir
    Fermentado a partir do leite ou da água, o kefir contém uma diversidade excepcional de bactérias e leveduras benéficas.
    Principais benefícios:
    Alta densidade probiótica
    Melhora da digestão da lactose
    Fortalecimento da imunidade intestinal
    Impacto no eixo intestino-cérebro:
    A diversidade microbiana do kefir está associada a maior estabilidade emocional e melhor resposta ao estresse.

    Kombuchá
    Bebida fermentada à base de chá, rica em ácidos orgânicos e compostos antioxidantes.
    Principais benefícios:
    Estimula bactérias benéficas
    Auxilia na detoxificação hepática
    Contribui para equilíbrio do pH intestinal
    Impacto no eixo intestino-cérebro:
    Redução da carga inflamatória sistêmica, favorecendo clareza mental e disposição.

    Chucrute
    Repolho fermentado naturalmente, fonte de bactérias lácticas e compostos anti-inflamatórios.
    Principais benefícios:
    Melhora a digestibilidade dos vegetais
    Fortalece a mucosa intestinal
    Rico em vitamina C e compostos bioativos
    Impacto no eixo intestino-cérebro:
    Intestino mais íntegro significa menor passagem de endotoxinas inflamatórias que afetam o cérebro.

    Iogurte natural
    Fermentado lácteo simples, desde que sem açúcar, corantes ou aditivos.
    Principais benefícios:
    Fonte acessível de probióticos
    Auxilia no equilíbrio da microbiota
    Contribui para saúde digestiva diária
    Impacto no eixo intestino-cérebro:
    Consumo regular está associado a melhora do humor e redução de sintomas ansiosos leves.

    Missô
    Pasta fermentada de soja, tradicional da culinária oriental.
    Principais benefícios:
    Rico em enzimas digestivas
    Fonte de probióticos e aminoácidos
    Auxilia no metabolismo intestinal
    Impacto no eixo intestino-cérebro:
    A fermentação prolongada do missô favorece compostos que atuam na modulação inflamatória e na comunicação intestino-cérebro.

    Atenção a um ponto essencial
    Alimentos fermentados não devem ser introduzidos de forma agressiva, especialmente em pessoas com:
    Disbiose avançada
    Intestino sensível
    Histórico de gases intensos
    Estratégia segura:
    Começar com pequenas porções
    Observar a resposta intestinal
    Variar os tipos de fermentados
    Associar com fibras prebióticas

Polifenóis:

  • Durante muito tempo, os polifenóis foram associados apenas à ação antioxidante. Hoje, a ciência avançou e mostrou que esses compostos vão muito além do combate aos radicais livres.
    Os polifenóis atuam como moduladores da microbiota intestinal, influenciam a inflamação sistêmica e exercem papel direto na comunicação entre intestino e cérebro. Em outras palavras, eles ajudam o intestino a “conversar melhor” com o cérebro.

    O que são polifenóis?
    Os polifenóis são compostos bioativos de origem vegetal, responsáveis por cor, aroma e proteção das plantas. No organismo humano, eles exercem funções reguladoras importantes.
    Uma característica essencial dos polifenóis é que não são totalmente absorvidos no intestino delgado. Grande parte chega intacta ao cólon, onde interage diretamente com a microbiota.
    👉 Isso transforma os polifenóis em nutrientes estratégicos para o eixo intestino-cérebro.

    Como os polifenóis atuam no eixo intestino-cérebro?
    Os polifenóis influenciam esse eixo por múltiplos mecanismos:
    Modulando a composição da microbiota
    Estimulando o crescimento de bactérias benéficas
    Reduzindo bactérias pró-inflamatórias
    Diminuindo a inflamação intestinal e sistêmica
    Protegendo neurônios contra estresse oxidativo
    O resultado é um ambiente intestinal mais equilibrado e um cérebro menos exposto a sinais inflamatórios crônicos.

    Polifenóis e inflamação: uma relação direta
    A inflamação de baixo grau é um dos principais fatores envolvidos em:
    Ansiedade
    Depressão
    Fadiga mental
    Declínio cognitivo precoce
    Os polifenóis ajudam a frear esse processo inflamatório, reduzindo citocinas inflamatórias que atravessam a barreira intestinal e alcançam o sistema nervoso central.

    Principais alimentos ricos em polifenóis e seus efeitos

    Cacau puro:
    Principais polifenóis:
    flavonoides (epicatequina e catequina)
    Principais benefícios:
    Estimula bactérias benéficas do intestino
    Reduz inflamação sistêmica
    Melhora a função endotelial
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    O cacau favorece a produção de metabólitos anti-inflamatórios que protegem o cérebro e estão associados à melhora do humor e da cognição.
    📌 Importante: quanto mais puro o cacau, maior o teor de polifenóis (evitar versões ricas em açúcar).

    Frutas vermelhas:
    Principais polifenóis:
    antocianinas e flavonóis
    Principais benefícios:
    Alta capacidade antioxidante
    Estimulam diversidade da microbiota
    Protegem a mucosa intestinal
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    As antocianinas ajudam a reduzir neuroinflamação e estão associadas a melhor memória e desempenho cognitivo.

    Chá verde:
    Principais polifenóis:
    catequinas (especialmente EGCG)
    Principais benefícios:
    Reduz inflamação intestinal
    Estimula bactérias benéficas
    Atua no metabolismo energético
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    O chá verde contribui para maior clareza mental, foco e redução do estresse oxidativo cerebral.

    Azeite de oliva extra virgem:
    Principais polifenóis:
    oleuropeína, hidroxitirosol
    Principais benefícios:
    Potente ação anti-inflamatória
    Proteção da barreira intestinal
    Modulação positiva da microbiota
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    Os polifenóis do azeite ajudam a reduzir inflamação crônica, fator diretamente ligado a transtornos neurodegenerativos e alterações de humor.
    📌 Dica prática: o azeite deve ser extra virgem, prensado a frio e consumido preferencialmente cru.


    Estratégia prática de consumo:
    Para aproveitar melhor os polifenóis:
    Priorizar alimentos in natura
    Variar as fontes diariamente
    Associar com fibras prebióticas
    Evitar excesso de açúcar e ultraprocessados

Fontes de triptofano:

  • O bem-estar emocional não depende apenas de pensamentos positivos ou força de vontade. Ele começa, muitas vezes, no prato — mais especificamente na oferta adequada de nutrientes capazes de sustentar a produção de neurotransmissores.
    Entre eles, o triptofano ocupa um lugar central. Esse aminoácido essencial é o principal precursor da serotonina, neurotransmissor diretamente ligado ao humor, ao sono, ao apetite e à sensação de bem-estar.

    O que é o triptofano?
    O triptofano é um aminoácido essencial, ou seja, o organismo não consegue produzi-lo e depende exclusivamente da alimentação para obtê-lo.
    Ele atua como matéria-prima para a produção de:
    Serotonina
    Melatonina
    Niacina (vitamina B3)
    No contexto do eixo intestino-cérebro, o triptofano é um elo bioquímico fundamental entre nutrição, microbiota intestinal e saúde mental.

    Triptofano e serotonina: qual é a relação?
    Cerca de 90% da serotonina do corpo é produzida no intestino, não no cérebro.
    Para que isso aconteça de forma eficiente, três fatores precisam estar alinhados:
    Oferta adequada de triptofano
    Microbiota intestinal equilibrada
    Baixo grau de inflamação intestinal
    Quando o intestino está inflamado, o triptofano tende a ser desviado para vias metabólicas inflamatórias, reduzindo sua conversão em serotonina.
    👉 Ou seja: não basta consumir triptofano, é preciso que o intestino esteja saudável.

    Como o triptofano atua no eixo intestino-cérebro?
    O triptofano influencia esse eixo por diferentes mecanismos:
    Serve de substrato para a produção de serotonina intestinal
    Modula o eixo do estresse (HPA)
    Influencia a comunicação via nervo vago
    Atua indiretamente na qualidade do sono
    Impacta comportamento alimentar e saciedade
    Um aporte adequado de triptofano favorece estabilidade emocional e melhor adaptação ao estresse.

    Principais fontes alimentares de triptofano

    Ovos:
    Destaque nutricional: proteína de alto valor biológico + triptofano + vitaminas do complexo B
    Principais benefícios:
    Excelente biodisponibilidade de triptofano
    Auxilia na síntese de neurotransmissores
    Contribui para saciedade e estabilidade glicêmica
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    Os ovos fornecem triptofano em um contexto nutricional completo, facilitando sua utilização pelo organismo.

    Sementes de abóbora:
    Destaque nutricional:
    triptofano + magnésio + zinco
    Principais benefícios:
    Apoiam a produção de serotonina
    Contribuem para relaxamento neuromuscular
    Auxiliam na modulação do estresse
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    A combinação de triptofano com minerais cofatores favorece a conversão eficiente em serotonina.

    Leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico):
    Destaque nutricional:
    triptofano + fibras + polifenóis
    Principais benefícios:
    Suporte à microbiota intestinal
    Liberação gradual de energia
    Redução da inflamação intestinal
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    As fibras das leguminosas criam um ambiente intestinal favorável para que o triptofano seja melhor aproveitado.

    Peixes:
    Destaque nutricional: triptofano + ômega-3
    Principais benefícios:
    Redução da inflamação sistêmica
    Suporte à saúde cerebral
    Melhora da fluidez das membranas neuronais
    Relação com o eixo intestino-cérebro:
    O ômega-3 reduz inflamação, favorecendo o direcionamento do triptofano para a produção de serotonina.


    Estratégias práticas para melhorar a conversão do triptofano:
    Para otimizar o uso do triptofano pelo organismo:
    Associar com carboidratos complexos
    Evitar inflamação intestinal crônica
    Manter microbiota equilibrada
    Garantir ingestão adequada de vitaminas do complexo B
    Evitar dietas excessivamente restritivas

Suplementos que podem auxiliar na modulação do eixo intestino-cérebro:

Probióticos, glutamina e ômega-3 no eixo intestino-cérebro

A saúde mental não começa apenas no cérebro. Cada vez mais estudos mostram que o equilíbrio emocional está profundamente ligado à integridade do intestino. Inflamação intestinal, disbiose e aumento da permeabilidade intestinal são fatores diretamente associados a ansiedade, alterações de humor e fadiga mental.

Dentro desse contexto, três elementos se destacam como ferramentas nutricionais e funcionais do eixo intestino-cérebro:
probióticos específicos, glutamina e ômega-3.

Eles não atuam de forma isolada. Juntos, formam uma base sólida para restaurar a mucosa intestinal, modular a microbiota e reduzir inflamação sistêmica e cerebral.


Probióticos e saúde emocional

Os probióticos são microrganismos vivos que exercem efeitos benéficos quando consumidos em quantidades adequadas. Algumas cepas específicas vêm sendo chamadas, inclusive, de psicobióticos, por sua atuação direta sobre o humor e a ansiedade.

Como os probióticos atuam no eixo intestino-cérebro?

Eles influenciam esse eixo por meio de vários mecanismos:

  • Redução da inflamação intestinal
  • Modulação do sistema imunológico
  • Produção e regulação de neurotransmissores
  • Comunicação com o cérebro via nervo vago
  • Fortalecimento da barreira intestinal

Quando a microbiota está equilibrada, o cérebro recebe sinais de segurança metabólica. Quando está alterada, recebe sinais de estresse.


Cepas com evidência científica para humor e ansiedade

Lactobacillus rhamnosus

  • Modula receptores de GABA (neurotransmissor inibitório)
  • Reduz resposta ao estresse
  • Associado à diminuição de sintomas ansiosos

👉 Atua principalmente na regulação do sistema nervoso.


Bifidobacterium longum

  • Reduz inflamação intestinal
  • Melhora sintomas de ansiedade leve
  • Favorece estabilidade emocional

👉 Atua na redução do ruído inflamatório entre intestino e cérebro.


Lactobacillus helveticus

  • Auxilia no controle do cortisol
  • Contribui para sensação de bem-estar
  • Apoia o equilíbrio do eixo HPA (estresse)

👉 Atua na modulação hormonal do estresse.


Resumo funcional das cepas probióticas

Cepa probióticaPrincipal açãoBenefício emocional
L. rhamnosusRegulação de GABARedução da ansiedade
B. longumAção anti-inflamatóriaEstabilidade do humor
L. helveticusModulação do cortisolRedução do estresse

Glutamina e a integridade da mucosa intestinal

A glutamina é um aminoácido considerado essencial em situações de estresse metabólico. Ela é a principal fonte de energia das células intestinais (enterócitos).

Por que a glutamina é tão importante para o intestino?

  • Promove reparação da mucosa intestinal
  • Fortalece as junções celulares (tight junctions)
  • Reduz a permeabilidade intestinal
  • Auxilia na recuperação após inflamação ou infecções

Em quadros de intestino permeável, a glutamina atua como um verdadeiro combustível de regeneração intestinal.


Glutamina e o eixo intestino-cérebro

Quando a barreira intestinal está comprometida, toxinas e fragmentos bacterianos entram na circulação, ativando inflamação sistêmica que afeta o cérebro.

👉 Ao restaurar a mucosa intestinal, a glutamina reduz esse gatilho inflamatório, favorecendo melhora do humor, da clareza mental e da disposição.


Ômega-3: anti-inflamatório do intestino ao cérebro

Os ácidos graxos ômega-3 (principalmente EPA e DHA) são conhecidos por sua ação anti-inflamatória, mas seu impacto no eixo intestino-cérebro vai além disso.

Principais ações do ômega-3:

  • Redução da inflamação intestinal
  • Modulação da microbiota
  • Proteção das membranas neuronais
  • Redução de citocinas inflamatórias
  • Suporte à função cognitiva

O ômega-3 cria um ambiente metabólico favorável para que outros nutrientes, como o triptofano, sejam melhor aproveitados.


Ômega-3 e saúde emocional

Estudos associam níveis adequados de ômega-3 a:

  • Menor risco de depressão
  • Redução de sintomas ansiosos
  • Melhor resposta ao estresse
  • Proteção contra neuroinflamação

👉 Ele atua como um amortecedor inflamatório entre intestino e cérebro.


Comparativo funcional: probióticos, glutamina e ômega-3

NutrientePrincipal função intestinalImpacto no cérebro
ProbióticosEquilíbrio da microbiotaModulação do humor e ansiedade
GlutaminaReparação da mucosaRedução de inflamação cerebral indireta
Ômega-3Ação anti-inflamatóriaNeuroproteção e estabilidade emocional

Estratégia prática e integrada

Esses três elementos funcionam melhor quando usados em conjunto:

  • Probióticos equilibram a microbiota
  • Glutamina repara a barreira intestinal
  • Ômega-3 reduz inflamação sistêmica

👉 Essa tríade cria um ambiente intestinal seguro, permitindo uma comunicação mais saudável com o cérebro.


Estratégias complementares para fortalecer essa conexão:

  • Gestão do estresse: técnicas como meditação, ioga e respiração consciente ajudam a reduzir a hiperativação do eixo HPA (eixo hipotálamo-hipófise-adrenal).
  • Sono de qualidade: sono restaurador favorece a produção de neurotransmissores e a renovação da microbiota.
  • Atividade física regular: exercícios moderados estimulam a diversidade bacteriana e a liberação de endorfinas.

Finalizando:

O eixo intestino-cérebro é uma via poderosa e fundamental para a manutenção da saúde integral. Cuidar da microbiota intestinal vai muito além da digestão: é também uma forma eficaz de apoiar o equilíbrio emocional, a clareza mental e a prevenção de distúrbios psiquiátricos e neurológicos.

A nutrição funcional, associada à modulação intestinal e ao estilo de vida saudável, se mostra como um dos caminhos mais promissores na abordagem integrativa da saúde mental.


Fontes:

  1. Dinan, T. G., & Cryan, J. F. (2017). The Microbiome-Gut-Brain Axis in Health and Disease. Gastroenterology.
  2. Foster, J. A., Rinaman, L., & Cryan, J. F. (2017). Stress & the gut-brain axis: Regulation by the microbiome. Neurobiology of Stress.
  3. Carabotti, M. et al. (2015). The gut–brain axis: interactions between enteric microbiota, central and enteric nervous systems. Annals of Gastroenterology.

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O intestino é muito mais do que um órgão digestivo — ele pode ser um verdadeiro aliado da saúde mental.
Este livro inovador explora a conexão entre o microbioma intestinal e o bem-estar emocional, mostrando como o eixo intestino-cérebro pode impactar doenças neurológicas, dores crônicas, qualidade do sono e muito mais.

-Organizado em três partes essenciais, a obra apresenta:
-Uma explicação profunda da anatomia e funcionamento do trato intestinal e sua influência no estilo de vida.
-Um mergulho na comunicação entre intestino e cérebro, detalhando como essa interação pode afetar a saúde mental.
-Estratégias terapêuticas práticas, como o uso de probióticos, prebióticos e nutrientes que podem revolucionar o tratamento e a prevenção de doenças.

Leitura essencial para médicos, nutricionistas, terapeutas e para todos que desejam entender como cuidar do corpo e da mente de maneira integrada e baseada nas mais recentes descobertas científicas.

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